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Putin diz que Rússia não legalizará casamento gay: 'Serão papai e mamãe'

Líder russo afirmou que não deixará 'família tradicional' ser substituída por 'pai um' e 'pai dois'

O Globo e Reuters

O Globo e Reuters

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, disse nesta quinta-feira que a Rússia não legalizará o casamento gay enquanto o Kremlin estiver sob seu comando. O líder russo deixou claro que não deixará a ideia daquilo que chama de família tradicional ser substituída por um “pai um” e um “pai dois”.

— Sobre o “pai um” e o “pai dois”, eu já falei publicamente sobre isso e repetirei de novo: enquanto eu for presidente, isso não vai acontecer. Serão papai e mamãe — disse Putin.

Durante suas duas décadas no poder, Putin se alinhou aos valores da Igreja Ortodoxa e buscou distanciar a Rússia das conquistas em direitos civis comuns em países ocidentais, como a legalização do casamento homoafetivo.

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Por mais que a homossexualidade tenha sido descriminalizada em 1993, a sociedade russa é bastante conservadora, e casais do mesmo sexo não têm direito às proteções legais estendidas a casais heteronormativos. A "lei da propaganda gay", de 2013, proíbe quaisquer demonstrações de afeto entre pessoas do mesmo sexo, aprovada como uma "proteção" contra informações sobre "relações sexuais não-tradicionais".

A violência contra a comunidade LGBTI no país também é grande, segundo a ONG Human Rights Watch. Na semana passada, por exemplo, um homem foi inocentado pela Justiça após ser filmado esfaqueando um casal gay — uma das vítimas morreu e a outra ficou gravemente ferida.

Reforma constitucional

Os comentários do presidente russo foram feitos durante o encontro com uma comissão governamental para discutir mudanças na Constituição do país, que solicitou sua opinião sobre uma cláusula para limitar o casamento a uma "união entre homem e mulher".  Segundo Putin, o ponto será incluído na Carta, bastando apenas definir em que lugar e com qual fraseamento.

A comissão governamental foi montada no final do mês passado, após Putin anunciar amplas reformas constitucionais que foram vistas como uma tentativa de manter seu poder após sua saída da Presidência, em 2024. Em outro ponto da reunião, o líder russo disse que apoia a ideia de proibir constitucionalmente que a Rússia ceda parte de seus territórios.

A medida provavelmente será malvista pelo Japão e pela Ucrânia, com quem Moscou tem desavenças. A Rússia anexou a Crimeia em 2014 e, desde então, está em confronto com Kiev. O conflito com Tóquio, por sua vez, se prolonga há décadas: ambos os países disputam um arquipélago no Pacífico que Moscou reivindicou ao fim da Segunda Guerra Mundial. Os países realizam negociações para solucionar a questão, que impediu a assinatura de um cessar-fogo formal após 1945. 

 

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